Antecipar movimentos do mercado deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência para crescer de forma consistente.
Em um contexto de consumo mais seletivo, pressão por eficiência e expansão cada vez mais criteriosa, compreender quais setores ganham tração e quais perdem fôlego é o que diferencia decisões estratégicas de apostas no escuro.
A Kognita analisou a vitalidade de diferentes segmentos do varejo e de serviços no Brasil, identificando padrões claros de expansão, estagnação e retração. O resultado é um retrato fiel do momento atual, que contribui para projetar onde estão as oportunidades mais concretas rumo a 2026.
Mais do que um ranking, o estudo evidencia comportamentos de consumo, mudanças estruturais e sinais antecipados de transformação econômica. Confira!
O que significa a vitalidade de um setor e por que isso importa para decisões de expansão
Vitalidade é a capacidade de um setor de se renovar, atrair demanda, sustentar crescimento e viabilizar novas operações.
Setores com alta vitalidade tendem a concentrar investimentos, inovação e expansão territorial. Já aqueles com baixa vitalidade sinalizam desgaste do modelo de negócio, perda de relevância ou desalinhamento com o novo perfil de consumo.
E aqui cabe um alerta importante: baixa vitalidade não é apenas um problema setorial, é um sinal de economia sem fôlego.
Quando setores inteiros começam a perder vitalidade, o impacto deixa de ser pontual e se espalha por toda a cadeia: afeta fornecedores, empregos, renda e, por consequência, o nível geral de consumo.
Top 10 segmentos com maior vitalidade: onde estão as oportunidades de expansão do mercado
Os segmentos com maior vitalidade apresentam uma combinação consistente de fatores como:
- Forte aderência ao digital
- Modelos de negócio escaláveis
- Alto apelo ao consumo recorrente
- Capacidade de operar de forma omnichannel
Entre os destaques estão setores ligados ao entretenimento digital, serviços financeiros alternativos, conveniência, alimentação rápida e soluções orientadas à experiência do consumidor. Eles se beneficiam de um público que valoriza imediatismo, personalização e acesso simplificado.
Vale destacar que não se trata apenas de crescimento em volume, mas da capacidade de adaptação rápida a novos hábitos, canais e formatos de consumo.
Confira o top 10 dos segmentos com maior vitalidade:
| Posição | Segmento | Divisão | Vitalidade |
| 01 | Atenção Ambulatorial NE | Saúde Humana | +1,00 |
| 02 | Terapia Ocupacional | Saúde Humana | +1,00 |
| 03 | Jogos de Azar (NE) | Jogos e Apostas | +1,00 |
| 04 | Psicologia e Psicanálise | Saúde Humana | +0,99 |
| 05 | Fonoaudiologia | Saúde Humana | +0,82 |
| 06 | Enfermagem | Saúde Humana | +0,71 |
| 07 | Nutrição | Saúde Humana | +0,69 |
| 08 | Alojamento de Animais (Pet Care) | Serviços Pessoais | +0,55 |
| 09 | Peças e Acessórios Usados para Motos | Veículos e Peças | +0,55 |
| 10 | Pronto-Socorro e Unidades Hospitalares | Saúde Humana | +0,47 |
Dos 10 segmentos com maior vitalidade da economia brasileira, 7 pertencem à divisão de Saúde Humana, e isso está longe de ser coincidência: trata-se de um movimento estrutural no país.
O envelhecimento acelerado da população, a intensificação da urbanização, o aumento da renda destinada ao bem-estar e a crescente conscientização sobre saúde física e mental estão redesenhando as prioridades de consumo e investimento.
A economia da saúde avança sustentada por demanda contínua, especialização técnica e maior valor agregado. O crescimento não vem apenas do volume, mas da complexidade: serviços mais sofisticados, tecnologias médicas avançadas, cuidados prolongados e soluções integradas de prevenção e qualidade de vida.
Bottom 10 segmentos com menor vitalidade: riscos estratégicos para varejo e real estate
Na outra ponta, os setores com menor vitalidade compartilham alguns padrões recorrentes: forte dependência do ponto físico tradicional, baixa diferenciação, modelos de negócio pouco flexíveis e dificuldade de diálogo com as gerações mais jovens.
Esses segmentos costumam sentir primeiro os efeitos da desaceleração do consumo e das mudanças de comportamento do consumidor. O impacto aparece na redução do ritmo de expansão e, em muitos casos, em movimentos claros de retração.
Vitalidade em queda é um sinal inequívoco de que a economia começa a perder potência e de que decisões de expansão exigem cautela redobrada.
Confira o ranking:
| Posição | Segmento | Divisão | Vitalidade |
| 01 | Equipamentos de Informática | Varejo | -1,00 |
| 02 | Litotripsia | Saúde | -1,00 |
| 03 | Restauração de Patrimônio Cultural | Cultura | -1,00 |
| 04 | Farmácia Homeopática | Varejo | -0,99 |
| 05 | Casas de Bingo | Jogos | -0,98 |
| 06 | CDs, DVDs e Fitas | Varejo | -0,96 |
| 07 | Apostas em Corridas de Cavalos | Jogos | -0,76 |
| 08 | Discotecas e Danceterias | Lazer | -0,74 |
| 09 | Materiais de Construção | Varejo | -0,73 |
| 10 | Recarga de Cartuchos | Varejo | -0,70 |
O paradoxo das apostas: digital x físico e o impacto na ocupação de pontos comerciais
Um dos movimentos mais reveladores do estudo aparece no universo das apostas.
Enquanto as plataformas digitais apresentam alta vitalidade e crescimento acelerado, atividades tradicionais (como apostas em corridas de cavalo) seguem em trajetória consistente de declínio.
Esse descolamento não é pontual nem conjuntural: ele reflete uma mudança estrutural na forma como o entretenimento é consumido, distribuído e monetizado.
O contraste entre esses modelos evidencia transformações mais amplas do mercado:
- Digital x físico
- Escala x limitação geográfica
- Experiência fluida x experiência restrita
As plataformas digitais operam com vantagens claras: conveniência, acesso imediato, personalização baseada em dados e integração orgânica à rotina do consumidor.
Já os modelos físicos tradicionais enfrentam barreiras relevantes, como menor frequência de uso, custos fixos elevados, dependência do ponto comercial e dificuldade de atrair novas gerações.
Não se trata do fim do entretenimento físico, mas de uma redefinição profunda do seu papel. O espaço deixa de ser o centro da operação e passa a ser um elemento da jornada. Entender essa transição é essencial para decisões mais assertivas sobre ocupação, mix de lojas e estratégias de longo prazo em ambientes comerciais.
O que esses movimentos revelam sobre o comportamento do consumidor brasileiro?
Ao observar os setores que ganham tração e aqueles que perdem vitalidade, emerge um conjunto consistente de padrões no comportamento do consumidor brasileiro.
Mais do que mudanças pontuais, trata-se de uma redefinição das expectativas em relação a tempo, acesso, experiência e valor.
O consumidor passou a priorizar conveniência e economia de tempo como critérios centrais de decisão. Experiências longas, pouco intuitivas ou excessivamente burocráticas enfrentam crescente resistência, mesmo quando o produto em si permanece relevante. A fricção, hoje, é um custo que muitos consumidores simplesmente não estão dispostos a pagar.
Nesse contexto, o digital deixou de ser apenas um canal complementar e passou a operar como infraestrutura básica de consumo.
Ele organiza a jornada, define expectativas de velocidade e personalização e influencia a percepção de valor, inclusive nas experiências presenciais. Operações que não incorporam essa lógica tendem a perder relevância, independentemente do ponto físico que ocupam.
Outro ponto-chave é a mudança na lógica de escolha do local de consumo. O endereço, isoladamente, perdeu protagonismo. O que pesa é a jornada: facilidade de acesso, integração entre canais, proximidade com outros usos e adequação ao ritmo cotidiano do consumidor.
O espaço físico passa a ser avaliado pelo papel que cumpre dentro dessa jornada, e não apenas pela sua localização geográfica.
Esses comportamentos ajudam a explicar por que alguns segmentos aceleram enquanto outros ficam para trás e reforçam a necessidade de estratégias que combinem experiência, tecnologia e leitura precisa do contexto urbano e de consumo.
Como líderes C-level podem usar dados para antecipar oportunidades de mercado
O verdadeiro diferencial competitivo não está em reagir aos movimentos do mercado, mas em antecipá-los com precisão.
Para líderes C-level, dados deixam de ser instrumentos de diagnóstico e passam a funcionar como uma alavanca estratégica de crescimento quando são integrados à tomada de decisão.
Ao cruzar indicadores de vitalidade setorial com inteligência territorial, comportamento de consumo e dinâmica urbana, a empresa amplia sua capacidade de leitura do mercado antes que as tendências se tornem evidentes para todos.
Esse tipo de análise permite ir além do “onde expandir” e responder perguntas mais estratégicas: quando expandir, em qual formato, com qual proposta de valor e com que nível de risco.
Na prática, essa abordagem possibilita:
- Identificar setores com maior potencial de expansão sustentável, evitando movimentos baseados apenas em crescimento passado
- Selecionar regiões com maior aderência ao perfil da operação, considerando fluxo, renda, hábitos de consumo e concorrência
- Reduzir riscos ao antecipar sinais de saturação, mudança de comportamento ou perda de vitalidade
- Priorizar investimentos com maior probabilidade de retorno, alinhando capital, timing e estratégia
Além de apoiar decisões, o uso inteligente de dados cria uma vantagem estrutural: permite que a liderança enxergue o mercado como um sistema em movimento, e não como uma fotografia estática.
É nesse momento que os dados deixam de ser retrospectivos e passam a ser estratégicos, orientando escolhas com impacto direto em crescimento, eficiência e valor de longo prazo.
Dados como bússola para decisões estratégicas em expansão, varejo e real estate
O ranking de vitalidade deixa claro que crescer sem dados é um risco crescente. Em um ambiente competitivo, expansão exige precisão: setor certo, local certo, momento certo.
Na Kognita, transformamos levantamento de dados, inteligência territorial e modelagens preditivas em insumos para decisões reais, apoiando líderes, times de expansão, varejo e real estate na definição do ponto certo, do setor certo e do timing adequado para crescer.
Porque, no fim, não basta saber onde o mercado esteve. O que realmente importa é para onde ele está indo.
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