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Markup: o que é, como calcular e por que ele precisa evoluir com a gestão territorial de preço

Markup: o que é, como calcular e por que ele precisa evoluir com a gestão territorial de preço

8 de maio de 2026
13 minutos

Poucas decisões impactam tanto os resultados de negócio quanto o preço. A precificação define não apenas o faturamento, mas também a percepção de valor da marca, a competitividade frente à concorrência e, principalmente, a sustentabilidade da margem ao longo do tempo.

O markup é uma das principais formas de formação de preço. Simples, direto e facilmente escalável, ele converte custos fixos, variáveis e impostos, além de garantir a margem necessária para o negócio.

O problema é quando ele vira regra fixa. Muitas empresas aplicam o mesmo markup em toda a operação, o que gera distorções: preços desalinhados com a realidade local, margens apertadas em algumas lojas e perda de competitividade em outras.

Isso acontece porque o varejo não é uniforme, afinal, custos e demanda mudam de acordo com a localização, mesmo para o mesmo produto.

Neste artigo, vamos debater essas nuances para que você entenda:

  • O que é markup e como calculá-lo corretamente
  • A diferença entre markup e margem 
  • Quais fatores realmente devem entrar no cálculo
  • Como o markup se relaciona com o CMV
  • Por que o markup precisa ser adaptado à realidade territorial 

O que é markup?

O markup é um índice aplicado sobre o custo de um produto ou serviço para formar seu preço de venda. 

Em outras palavras, trata-se do valor “adicionado sobre o custo” (do inglês mark up) de um produto ou serviço até chegar ao preço final de venda.

Na prática, ele garante que a empresa consiga cobrir suas despesas e ainda obter lucro.

Para o cálculo do markup, três informações principais são consideradas:

  • Margem de lucro desejada
  • Custos fixos e variáveis do negócio
  • Custos de produção ou de aquisição dos produtos

Do ponto de vista técnico, o markup funciona como um multiplicador de segurança. Ele assegura que, ao vender um item, a receita seja suficiente para repor o estoque (CMV), quitar obrigações fiscais e operacionais e ainda gerar o lucro líquido esperado.

Qual é a diferença entre markup e margem de lucro?

O markup é um índice aplicado sobre o custo para definir o preço de venda de um produto ou serviço. Já a margem de lucro indica quanto, de fato, do preço de venda se transforma em ganho depois de cobrir todos os custos.

Embora ambos considerem custos, despesas e lucro, eles partem de bases diferentes e isso muda completamente o resultado do cálculo.

Na prática:

  • Markup: é calculado sobre o custo. Por exemplo, se um produto custa R$ 100 e é aplicado um markup de 50%, o preço de venda será R$ 150.
  • Margem de lucro (margem bruta): é calculada sobre o preço de venda. No mesmo exemplo, o produto é vendido por R$ 150, o custo é R$ 100 e o lucro bruto é R$ 50. Para encontrar a margem, divide-se R$ 50 por R$ 150, chegando a 33,33%.

Em uma liquidação, por exemplo, um desconto de 40% aplicado sobre o preço de venda não “zera” o impacto de um markup de 40% aplicado sobre o custo. 

Se um produto custa R$ 100 e é vendido por R$ 140, um desconto de 40% reduz o preço para R$ 84, o que significa vender abaixo do custo inicial, sem considerar outros fatores como impostos e despesas operacionais.

De forma geral, o valor do markup tende a ser maior do que o da margem de lucro, mesmo quando os dois se referem ao mesmo cenário de preço e custo.

 

Markup Margem de lucro
Base de cálculo Custo Preço de venda
Função Definição de preço Metrificar resultados
Utilizado para Estruturar regras de precificação Avaliar rentabilidade e desempenho financeiro

O que compõe o markup?

Calcular o markup significa traduzir a estrutura real de custos de uma operação em preço de venda. É justamente nesse ponto que muitas empresas acabam errando.

O problema, na maioria das vezes, não está na fórmula em si, mas na base utilizada. Quando custos são ignorados, subestimados ou mal distribuídos, o markup deixa de refletir a realidade do negócio e o preço passa a dar uma falsa sensação de rentabilidade.

Por isso, antes de pensar em percentuais e fórmulas, é essencial entender que um markup bem calculado começa com um mapeamento completo e preciso de todos os custos envolvidos.

Na prática, o preço de venda pode ser decomposto em diferentes partes, cada uma representando uma saída de caixa associada a cada unidade vendida.

1. Custos variáveis

Os custos variáveis são aqueles que mudam conforme o volume de vendas. Eles costumam ser a base mais direta do cálculo do markup.

Os principais são:

  • CMV (Custo da Mercadoria Vendida): corresponde ao custo de aquisição ou produção do produto. Inclui compras de fornecedores, matéria-prima e custos diretos de fabricação.
  • Impostos sobre vendas: variam de acordo com o regime tributário e o tipo de produto. Entre os mais comuns estão ICMS, PIS/COFINS e, em alguns casos, substituição tributária.
  • Comissões e taxas comerciais: incluem comissões de vendedores, taxas de marketplaces e taxas de adquirência de cartões de crédito e débito.

2. Custos fixos

Os custos fixos não variam diretamente com o volume de vendas, mas precisam ser diluídos no preço para que a operação se mantenha sustentável.

Entre os principais estão:

  • Aluguel e ocupação
  • Equipe e operação
  • Energia, manutenção e demais custos operacionais
  • Marketing e despesas administrativas

3. Custos logísticos e operacionais

Esse grupo muitas vezes é subestimado, mas pode distorcer completamente o resultado do markup quando não é considerado corretamente.

Aqui entram, por exemplo:

  • Frete de abastecimento
  • Transferência entre lojas
  • Armazenagem e distribuição

4. Margem desejada

Depois de considerar todos os custos, entra o componente mais estratégico do markup: a margem de lucro desejada.

Ela não é apenas um percentual fixo, já que depende de fatores como:

  • Posicionamento da marca (premium ou focada em volume)
  • Nível de concorrência no mercado
  • Estratégia de crescimento
  • Perfil do consumidor

Negócios que competem principalmente por preço tendem a trabalhar com margens menores e maior volume de vendas. 

Já marcas posicionadas como premium conseguem sustentar margens mais altas, desde que entreguem um valor percebido coerente com esse posicionamento.

Como calcular markup? Entenda as fórmulas

Existem duas formas principais de calcular o markup no varejo. As duas chegam ao mesmo preço de venda, mas partem de raciocínios diferentes. Entender essa diferença ajuda a evitar erros, principalmente quando há metas de margem envolvidas. São elas:

1. Markup divisor

O markup divisor é um método de precificação que garante que todos os custos e o lucro desejado estejam embutidos no preço de venda.

A lógica é: o preço de venda representa 100%, então subtraímos dele todos os percentuais de custos e lucro.

A fórmula é:

Markup Divisor = (100 – (CV + CF + L)) / 100

Onde:

  • CV = Custos Variáveis (%)
  • CF = Custos Fixos (%)
  • L = Lucro Desejado (%)

Exemplo:

Imagine um produto com custo de aquisição de R$ 50,00 e os seguintes percentuais:

  • Impostos + comissões: 20%
  • Custos fixos: 15%
  • Lucro desejado: 15%
  • Soma total dos encargos: 50%

Aplicando a fórmula:

  • Markup Divisor = (100 – 50) / 100
  • Markup Divisor = 50 / 100
  • Markup Divisor = 0,50

Para encontrar o preço de venda, divida o custo pelo markup:

  • Preço de venda = 50 / 0,50
  • Preço de venda = R$ 100,00

2. Markup multiplicador

O multiplicador é o índice que o comprador utiliza para saber rapidamente se um custo oferecido pelo fornecedor cabe na prateleira. Ele é o inverso do divisor.

A fórmula é:

Markup Multiplicador = 1 / Markup Divisor

Exemplo:

No exemplo anterior:

  • Markup Multiplicador = 1 / 0,50
  • Markup Multiplicador = 2,0

Isso significa que, nessa categoria, o gestor já sabe que todo custo deve ser multiplicado por 2 para chegar ao preço de venda.

Qual markup usar no dia a dia?

Muitos gestores cometem o erro de simplesmente somar os 50% de encargos ao custo (R$ 50 + 50% = R$ 75,00). No entanto, como vimos no cálculo correto via Markup Divisor, o preço adequado deveria ser de R$ 100,00.

Essa diferença de R$ 25,00 representa o que chamamos de “vazamento de margem”.

Ao utilizar um fator multiplicativo incorreto ou uma lógica de soma simples, o gestor ignora um ponto fundamental: impostos, comissões e demais encargos incidem sobre o preço de venda, e não sobre o custo de aquisição.

O markup divisor evita esse erro ao estruturar o cálculo de forma reversa, protegendo a operação contra essa ilusão matemática e garantindo que a margem planejada seja efetivamente alcançada.

Referências de markup por setor

O markup ideal depende do setor e do contexto específico dentro dele. Existem, sim, referências de mercado que ajudam a orientar decisões. Mas usá-las como regra absoluta é um erro que pode comprometer tanto a margem quanto a competitividade.

Veja algumas referências por segmento:

Alimentação e food service

No setor de alimentação e food service, o markup costuma variar entre 2,5x e 4x, podendo ser ainda maior dependendo do tipo de produto.

Bebidas, por exemplo, geralmente apresentam markups mais elevados do que alimentos.

Isso acontece porque restaurantes e bares lidam com fatores como perecibilidade e desperdício, que impactam diretamente os custos. 

Além disso, o custo de transformação, como a mão de obra da cozinha, e toda a estrutura de serviço também têm um peso relevante na formação do preço.

Moda e varejo de vestuário

O setor de vestuário costuma operar com alguns dos markups mais altos do varejo, geralmente entre 2x e 3,5x.

Esse patamar está ligado ao risco da operação. Trabalhar com coleções sazonais, lidar com altas taxas de devolução (especialmente no e-commerce) e ainda enfrentar liquidações frequentes no fim de cada estação exige uma precificação mais cuidadosa. 

Por isso, o markup inicial já precisa considerar essas remarcações ao longo do tempo, garantindo que a margem média do ano continue saudável.

Farmácias e medicamentos

Nesse setor, o foco está no volume de vendas, com margens unitárias mais apertadas. Em muitos casos, os preços são limitados por órgãos reguladores, o que reduz a flexibilidade na precificação.

Por isso, a rentabilidade depende muito da gestão do mix de produtos. Medicamentos costumam trabalhar com markups mais baixos, entre 1,3x e 1,7x, enquanto itens de higiene e perfumaria ajudam a equilibrar o resultado, com margens mais elevadas.

Supermercados

O varejo alimentar opera com margens bastante enxutas e alta competitividade, em um cenário onde cada centavo faz diferença. O markup geralmente fica entre 1,1x e 1,5x.

Nesse contexto, a estratégia está no giro: vender grandes volumes com margens menores. A alta frequência de compra compensa o ganho reduzido por item.

Por outro lado, qualquer erro no cálculo de preços pode ter um impacto significativo, já que há pouco espaço para absorver ineficiências.

O risco de usar benchmark sem contexto

Dois negócios do mesmo setor podem operar com markups completamente diferentes e, ainda assim, ambos estarem corretos. Isso acontece porque o markup ideal depende de diversas variáveis.

Fatores como localização da loja, estrutura de custos, posicionamento da marca, nível de concorrência e perfil do público influenciam diretamente esse indicador.

Para ilustrar, imagine duas lojas de moda trabalhando com o mesmo markup, de 2,5x:

  • Loja A: localizada em um shopping premium, com aluguel elevado e público de alta renda
  • Loja B: situada em uma rua de bairro, com custos mais baixos e consumidores mais sensíveis a preço

Mesmo com o mesmo markup, os resultados podem ser bem diferentes. A Loja A pode operar com margens mais apertadas, enquanto a Loja B corre o risco de praticar preços acima do mercado.

Esse tipo de situação mostra como um mesmo número pode levar a resultados opostos, dependendo do contexto.

Por isso, benchmarks são úteis como referência, mas precisam ser interpretados com cuidado. O contexto operacional e a realidade de cada negócio têm um peso decisivo na definição do markup.

Qual é a relação entre markup e CMV?

Se o markup é a ferramenta que transforma custo em preço, o CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é o que sustenta essa lógica. Ele funciona como a base principal do cálculo: quando o CMV está errado, o preço também tende a estar.

O CMV representa quanto custa colocar um produto disponível para venda. Ele considera, por exemplo, custo de compra do produto e de produção, frete de aquisição e impostos.

Sem um CMV bem calculado, atualizado e controlado, qualquer estratégia de markup perde precisão. O resultado é um preço que já não reflete a realidade econômica da operação.

A relação entre CMV e markup é direta. Quando o custo sobe, a empresa precisa decidir como lidar com esse impacto. Em geral, existem três caminhos possíveis:

  • Repassar o aumento para o preço de venda
  • Absorver o custo e reduzir a margem
  • Buscar ganhos de eficiência para compensar a diferença

Um exemplo ajuda a visualizar melhor:

  • CMV inicial: R$ 100
  • Preço de venda: R$ 200
  • Margem bruta: 50%

Se o CMV sobe para R$ 120 e o preço permanece o mesmo, o cenário muda:

  • Novo lucro bruto: R$ 80
  • Nova margem: 80 ÷ 200 = 40%

Ou seja, um aumento de 20% no custo reduz a margem em 10 pontos percentuais.

No fim, o markup depende diretamente do CMV, mas o próprio CMV também estabelece os limites de até onde esse markup pode chegar.

Quais são os erros mais comuns no uso e cálculo de markup?

Na maioria dos casos, o problema não está na fórmula em si, mas na forma como o markup é aplicado, interpretado e atualizado ao longo do tempo. É nesse uso prático que surgem erros que afetam diretamente a rentabilidade e a competitividade.

  • Ignorar custos variáveis ou subestimar despesas: muitas empresas consideram apenas o custo de compra do produto e deixam de fora itens como impostos, taxas e comissões. O preço pode até parecer correto, mas não cobre o custo real da operação.
  • Confundir markup com margem: ao definir uma margem desejada e aplicar esse percentual diretamente sobre o custo, acredita-se que o resultado será atingido. Na prática, isso costuma gerar margens menores do que o planejado.
  • Não revisar o markup com frequência: conforme custos e despesas mudam, o preço fica desatualizado e a margem começa a se deteriorar gradualmente.
  • Aplicar o mesmo markup para todos os produtos: cada item tem um papel diferente dentro do negócio, e usar o mesmo critério para todos tende a gerar preços desalinhados com a estratégia.

Impactos geográficos no markup e na precificação

Em operações com múltiplas unidades, como franquias, o principal erro não está no cálculo do markup, mas na ideia de que ele pode ser padronizado para toda a rede.

Na prática, isso significa tratar todas as lojas como se operassem sob as mesmas condições, o que raramente acontece. Cada unidade funciona dentro de um microcontexto, com dinâmicas próprias de custo e demanda.

Quando se aplica um único markup para toda a operação, o resultado tende a ser um desalinhamento entre preço, estrutura de custos e comportamento do consumidor.

Mesmo dentro da mesma rede, os custos podem variar bastante entre regiões. Além disso, o território influencia diretamente a forma como o cliente percebe e aceita o preço.

Entre as principais variáveis, destacam-se:

  • Aluguel e ocupação: shopping ou rua, capital ou interior
  • Logística e abastecimento: distância dos centros de distribuição e custo de transporte
  • Mão de obra: variações salariais e encargos locais
  • Tributação: diferenças de ICMS entre estados
  • Renda média e poder de compra: regiões com maior renda tendem a absorver preços mais altos
  • Perfil de consumo: preferências locais e hábitos de compra
  • Fluxo de pessoas: lojas com menor fluxo precisam de maior margem por venda
  • Concorrência local: quantidade de concorrentes e estratégias praticadas

Quando custo e demanda mudam, o markup ideal também deveria acompanhar esse movimento.

Na prática, regiões com custos mais altos precisam de um markup maior para sustentar a margem, mas ao mesmo tempo enfrentam limites de preço impostos pelo mercado. 

Já regiões mais sensíveis a preço exigem markups menores para manter a competitividade, o que aumenta a dependência de volume para fechar a conta.

Evolua seu processo de precificação com a Kognita

O markup continua sendo uma das ferramentas mais importantes na gestão de preços. Além de simples e escalável, ele cumpre um papel essencial ao transformar custos em preços de venda de forma estruturada.

Ao mesmo tempo, o mercado tornou-se mais complexo e dinâmico. Nesse contexto, não faz mais sentido gerenciar markup com base em intuição ou em planilhas que rapidamente ficam desatualizadas sempre que há mudanças nos custos.

Para redes que buscam se destacar, o desafio está em evoluir de uma precificação reativa para uma abordagem mais inteligente. Isso passa por entender que o preço ideal é aquele que equilibra competitividade com a realidade dos custos em cada ponto da operação

Quando fatores como logística, tributação e ocupação são ignorados, a chamada “margem média” pode esconder perdas relevantes em unidades específicas.

Com soluções baseadas em IA, inteligência de dados e gestão estratégica, a Kognita ajuda a transformar informações operacionais em decisões de preço mais precisas.

Com o GeoEdge, sua empresa pode:

  • Entender o potencial de faturamento por localização
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  • Mapear fluxo de pessoas e comportamento do consumidor
  • Identificar diferenças relevantes entre regiões

Já com o gAIn, esses dados se transformam em ação:

  • Ajustar preços com base em elasticidade
  • Monitorar a concorrência em tempo real
  • Otimizar margem e receita de forma contínua

Na prática, isso se traduz em uma operação mais orientada por dados, onde o preço deixa de ser uma estimativa e passa a ser uma decisão bem fundamentada.

Grandes empresas como Sicoob, Burger King e RaiaDrogasil já contam com a inteligência da Kognita, e a sua empresa pode ser a próxima.

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